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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Review - Helter Skelter



A epopeia de queda da Lilico e uma crítica a compulsão pela beleza, mais do que isso, uma crítica sobre se vale ir até as últimas consequências para permanecer em evidência.
"Algumas palavras antes de começar.
Risadas e gritos são muito parecidos
"
Poucos são os mangás que, até hoje, eu li e me deixaram com uma sensação amarga. Mais até do que amarga, essas poucas obras conseguiram me deixar perturbado com o contraste que notei entre a ficção e a realidade.
Talvez isso se deva por serem obras que carreguem uma crítica social forte dentro de si, mas no caso de Helter Skelter, existe um fator além; pois tudo ali é profundo e carregado demais, é algo que quanto mais se lê, mais a impressão de ladeira abaixo na vida dos personagens fica nítida. Mas deixa eu ir com calma, porque estou me antecipando demais; primeiramente vou apresentar a obra direito e ir explicando os pontos.
Escrito e ilustrado por Kyoko Okazaki, “Helter Skelter” – ou “Helter Skelter: Fashion Unfriendly” (Moda hostil, em um português ao pé da letra) – foi serializado de 8 de junho de 1995 até 8 de março de 1996 na revista Feel Young da Shodensha; tendo um total de 9 capítulos, compilados em um volume que saiu em 8 de abril de 2003. Além disso, a obra também ganhou uma adaptação em live action em 2012.
Aqui no Brasil, a obra foi lançada ano passado pela New Pop, tendo a qualidade que ela, costumeiramente, emprega em seus materiais, porém com problemas de gramaticais bem incômodos – porque, sim, quando é algo hard demais temos que abrir – seria legal um relançamento com uma revisão nisso. Mas mesmo com esses erros, a leitura consegue seguir fluída.

Agora falando da história em si (e comentando o porquê daquela “ladeira abaixo” do começo); o mangá narra a história da Lilico – uma jovem modelo que é a sensação do momento; nos deixando a par do momento de ápice dela, que logo vira início de um declínio. Nisso nos é explicado que ela, por vontade própria, passou por diversas cirurgias plásticas e, devido a isso, com o tempo o corpo dela passa a sofrer deterioração, sendo consumido aos poucos. Em um resumo, bem resumido é isso, pois tudo que passa dessa base são consequências das escolhas de nossa protagonista, ou são situações envolvendo o local onde ela realizou seu procedimento cirúrgico, porque houveram outras garotas que, por desejar a beleza padrão, recorreram ao mesmo método, porém não obtiveram os mesmos resultados.
A premissa básica sendo essa, já é esperado que não tenhamos sorrisos ao longo das 320 páginas do mangá, mas a história consegue ir além do drama, ela é algo que nos dá um misto de sensações, pois a dor que a Lilico sente é palpável, é algo que chega a dar dó em determinado ponto; entretanto ela é uma personagem detestável. Ela é alguém que sabe os porquês de sua vida ter chegado até aquele ponto, aceita isso, porém não aceita a possibilidade de ir ao “inferno” sozinha; devido a isso ela arrasta com ela quem estiver próximo para acompanha-la nessa queda. Tudo isso enquanto tenta se manter no auge.
Além desse ponto, que já é denso, ainda temos o problema das outras pacientes da clínica. Esse enfoque é dado através de um Policial, que está com um caso sobre suicídio de jovens que foram realizar procedimentos de plástica e após algum tempo se mataram. Todos os indícios levam à clínica e, devido a isso, temos um cruzamento de caminhos entre o policial e a protagonista.
O crucial ponto, em cima desses pontos que citei acima, para que isso funcione como crítica e narrativa fluída; é que ele não poupa o leitor de seu conteúdo, independentemente do que seja, nós vemos e sentimos o choque que é, puramente, intencional. Não há como explicar mais do que isso sem entregar detalhes da trama, porque todos ali são pessoas que você consegue sentir, mesmo não sendo tão bem explorado assim, porém é na Lilico que temos o holofote brilhando, é ela quem acompanhamos em cada passo rumo ao “inferno”, rumo a sua validade como modelo. É ela quem abre o precedente para nós pensarmos o quão maluco é esse mundo com seu “padrão de beleza”.

Sinceramente, não sei se foi com essa intenção que a Kyoko-sensei escreveu a história, mas tudo ali é feito de um modo que me faz analisar o quão estamos presos a uma neura quanto à perfeição, no quesito de beleza. É tudo tão “quero ficar mais bonito/bonita” que não medimos esforço, até pagamos caro por produtos que prometem rejuvenescimento e afins, tudo pela beleza que nos é imposta. Lilico é a personificação desse padrão e, devido a isso, retrata bem os males que ele faz as pessoas, pois esse padrão causa obsessões extremas, gera muitos problemas e destrói vidas. É algo nocivo, e no fim só sobra cair no fundo do poço.
O volume não é feliz, não é algo para qualquer um ler. Ele é duro em muitos momentos, e mesmo quando a obra acaba, ainda tem o prefácio que é triste, pois ali descobrimos que a edição encadernada foi lançada em 2003 porque a autora se acidentou após o término da obra – foi atropelada por um cara bêbado – e, devido a isso, ficou com problemas físicos e mentais (estou seguindo o que foi está na edição brasileira). Porém, a obra ganhou o “Prêmio Cultural Osamu Tezuka” em 2004 e o Japan Media Arts Festival no mesmo ano (segundo Wikipédia); prêmios esses, mais do que merecidos. Além deles, ela também foi nomeada para a seleção oficial do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angolema na França, em 2008.

No fim, mesmo não sendo algo para todos os públicos, é uma obra que vale a pena. Ela é uma narrativa imersiva, que recompensa o tempo gasto na leitura; ela te leva a repensar muitos pontos da vida e da sociedade. É um mangá que nos prova, e muito bem, o porquê merece todos os prêmios que ganhou, assim como merece ser reconhecido pela grande obra que é. Super recomendado, não só para você que curte um bom mangá, como para todos que apreciam um bom quadrinho – mesmo com o contra que citei lá no começo.



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